
A cidade que observa
Em 1987, RoboCop imaginou uma Detroit tomada pela criminalidade.
A cidade estava falindo, o poder público perdia sua capacidade de controlar as ruas e uma grande corporação chamada OCP aparecia com uma solução para o problema: Tecnologia.
Um policial que não precisava dormir, enxergava melhor que qualquer ser humano e tinha acesso instantâneo a informações sobre as pessoas que encontrava.
Na época parecia razoável imaginar que o futuro da segurança pública seria um policial transformado em máquina.
Quase quarenta anos depois, RoboCop talvez tenha acertado muita coisa, Só errou a escala.Porque no fim a cidade que virou a máquina e não o policial.
Olhos
Uma câmera de segurança não é exatamente uma novidade.
Nós convivemos com elas há décadas em bancos, mercados, estacionamentos, condomínios e nas ruas. Durante muito tempo, entretanto, havia uma limitação importante. Uma câmera poderia produzir centenas de horas de gravação, mas alguém precisava assistir aquilo para descobrir o que havia acontecido.
A inteligência artificial começa a mudar essa relação.
Hoje uma câmera pode reconhecer um rosto no meio de uma multidão ou identificar automaticamente a placa de um carro. Quando milhares delas começam a conversar com um mesmo sistema, deixam de ser apenas objetos espalhados pela cidade e começam a se transformar em uma nova infraestrutura urbana.
E isso muda também nossa relação com o espaço público.
Imagine uma praça.
Agora coloque uma câmera nessa praça.
Talvez nada mude.
Mas se essa câmera reconhecer seu rosto, registrar o horário em que você esteve ali e permitir que essa informação seja relacionada posteriormente com outros lugares pelos quais você passou, a praça continua sendo exatamente a mesma?
Fisicamente, sim.
O banco continua no mesmo lugar, as árvores continuam no mesmo lugar e a arquitetura não mudou.
Mas talvez o espaço tenha mudado.
A porta do banheiro
Em 2013, Edward Snowden entregou a jornalistas documentos sigilosos que revelaram a dimensão de programas de vigilância eletrônica mantidos pelos Estados Unidos e seus aliados.
Snowden havia trabalhado para a CIA e prestava serviços para a NSA, a Agência de Segurança Nacional americana. De repente, uma discussão que parecia pertencer a filmes de espionagem se tornou muito mais concreta.
Governos possuíam capacidade de coletar e analisar uma quantidade gigantesca de informações produzidas pelas comunicações de pessoas comuns.
Uma resposta bastante frequente para essa discussão é simples:
“Eu não tenho nada a esconder.”
Snowden respondeu a esse argumento usando uma situação curiosamente banal.
Existe uma razão para fecharmos a porta quando vamos ao banheiro. Não significa que estamos cometendo um crime lá dentro. Significa apenas que existem partes da nossa vida que não precisam ser observadas. [1]
Privacidade não é necessariamente esconder alguma coisa errada.
É poder escolher o que os outros sabem sobre você.
Talvez seja nesse ponto que a discussão sobre vigilância entre definitivamente na arquitetura.
Uma casa possui paredes, portas e cortinas porque criamos limites físicos entre aquilo que queremos tornar público e aquilo que queremos manter privado.
A cidade funciona de outra maneira.
Quando saímos de casa aceitamos dividir o espaço com desconhecidos. Mas estar em público nunca significou necessariamente ser permanentemente identificado e armazenado em um banco de dados.
Existe uma diferença entre ser visto e ser registrado.
Quando a observação se torna permanente, ela também pode interferir na forma como ocupamos esses espaços. A percepção de estar sendo vigiado pode produzir autocensura mesmo sem qualquer proibição direta, fenômeno conhecido como chilling effect. Estudos sobre vigilância e comportamento já encontraram evidências desse tipo de efeito sobre a comunicação e a participação das pessoas. [2]
A praça continua sendo pública.
Mas agora ela pode ter memória.
A cidade laboratório
Em Singapura essa infraestrutura começa a ganhar uma forma bastante concreta.
A polícia do país já utiliza robôs terrestres e, em 2026, começou a operar o Home Team SkyGuardian, um sistema de drones capaz de realizar patrulhas programadas e responder a ocorrências. Os drones podem partir de bases próprias e ser supervisionados remotamente por centros de operações. [3]
A justificativa é compreensível. Uma máquina consegue chegar rapidamente a uma ocorrência sem colocar necessariamente um policial em risco.
Em 2026, porém, o governo confirmou que sua polícia também estava desenvolvendo e testando sistemas não tripulados equipados com armamentos para operações especiais.
Eles ainda não fazem parte do patrulhamento comum das ruas e, durante os testes, a decisão de atacar permanece nas mãos de um policial. [4]
Ainda existe uma distância enorme entre uma máquina que observa e uma máquina capaz de agir fisicamente sobre aquilo que observa.
Mas essa distância já pode ser medida.
São Paulo
Não precisamos viajar até Singapura para encontrar uma cidade aprendendo a observar.
Em 2023, durante a gestão do prefeito Ricardo Nunes, a Prefeitura de São Paulo iniciou o Smart Sampa. O contrato para implantação do programa foi assinado em agosto daquele ano e, em 2024, o Smart Sampa foi formalmente instituído por decreto municipal sob gestão da Secretaria Municipal de Segurança Urbana. [5] [6]
A proposta previa a instalação de milhares de câmeras inteligentes e a integração de equipamentos privados ao mesmo sistema.
Mas talvez chamar o Smart Sampa apenas de sistema de câmeras seja pouco.
O próprio decreto que criou o programa prevê uma plataforma multiagência destinada ao processamento de dados e à integração de diferentes sistemas e órgãos públicos. Em 2026, aproximadamente 50 mil câmeras já estavam conectadas à rede, sendo cerca de 20 mil próprias e 30 mil integradas da rede privada. [6] [7]
A câmera é apenas a parte que conseguimos enxergar.
O Smart Sampa utiliza reconhecimento facial para localizar pessoas procuradas pela Justiça e desaparecidos, além de identificar placas de veículos. [7]
E o sistema encontra pessoas.
Nos primeiros seis meses analisados pela Prefeitura, o reconhecimento facial auxiliou na prisão de 1.153 foragidos da Justiça. O município afirma que nenhuma pessoa foi presa injustamente por uma falha do reconhecimento facial e que, depois de ajustes no sistema, sua taxa de assertividade chegou a 99,5%. [8]
Parece difícil argumentar contra um número desses.
Mas precisamos entender exatamente o que ele significa.
No mesmo período, 82 pessoas foram abordadas, levadas até uma delegacia e depois liberadas. Em 53 casos, o problema estava no banco de dados da Justiça; nos demais havia inconsistências cadastrais ou necessidade de averiguação da documentação. [8]
A câmera não precisa necessariamente errar para que o sistema erre.
Ela pode reconhecer corretamente um rosto e encontrar um mandado que já deveria ter sido retirado do banco de dados. Para quem administra a tecnologia, o reconhecimento facial funcionou. Para quem foi levado até uma delegacia por uma informação errada, essa diferença talvez seja menos importante.
Uma análise realizada pelo Laboratório de Políticas Públicas e Internet, pelo Instituto de Referência Negra Peregum e pela Rede Liberdade encontrou outro problema nos dados disponibilizados pelo município. Em 58,9% dos registros analisados, a informação racial sequer havia sido preenchida. Os pesquisadores também identificaram concentração territorial das abordagens e levantaram preocupações sobre possíveis vieses raciais e territoriais do programa. [9]
Isso não permite simplesmente concluir que o algoritmo do Smart Sampa seja racista.
Uma câmera, entretanto, precisa estar em algum lugar.
E uma cidade nunca foi policiada de maneira uniforme.
Quando uma nova tecnologia é colocada sobre territórios que historicamente já receberam níveis diferentes de policiamento, ela não começa a operar sobre uma folha em branco. Um território mais policiado produz mais registros, que podem justificar mais atenção sobre o mesmo território.
A tecnologia pode parecer neutra enquanto opera sobre uma cidade que nunca foi.
E ainda precisamos decidir o que significa dizer que o Smart Sampa funciona.
Se a pergunta for se o sistema consegue localizar pessoas procuradas pela Justiça, os números apresentados pela Prefeitura indicam que sim.
Mas um estudo do CESeC e do projeto O Panóptico, comparando São Paulo com outros municípios do estado a partir de dados oficiais da Secretaria de Segurança Pública, não encontrou efeito estatisticamente significativo do programa sobre os indicadores de criminalidade analisados. [10]
Isso não significa que as câmeras sejam inúteis.
Significa que encontrar foragidos e reduzir crimes são coisas diferentes.
Essa diferença se torna especialmente importante quando lembramos que estamos falando de uma infraestrutura pública que custa milhões de reais.
Segundo análise realizada por LAPIN, Peregum e Rede Liberdade a partir de documentos públicos e pedidos feitos pela Lei de Acesso à Informação, o Smart Sampa vinha custando aproximadamente R$ 9,8 milhões por mês. As organizações também apontaram dificuldades para reconstruir de maneira clara os custos, indicadores e resultados do programa a partir das informações disponibilizadas pelo poder público. [9]
Existe alguma ironia nisso.
Estamos construindo uma infraestrutura cada vez mais eficiente para descobrir informações sobre quem circula pela cidade enquanto pesquisadores precisam recorrer à Lei de Acesso à Informação para compreender completamente como essa própria infraestrutura funciona.
Talvez transparência seja uma exigência especialmente importante quando aquilo que estamos comprando é justamente a capacidade de observar.
Porque o objetivo de uma política de segurança pública não deveria ser simplesmente produzir mais prisões.
Deveria ser produzir menos crime.
Uma parcela enorme das câmeras conectadas ao Smart Sampa pertence a particulares. Em 2026, a própria Prefeitura informava que 30 mil das 50 mil câmeras conectadas ao sistema eram equipamentos privados integrados à rede. [7]
A fronteira entre a câmera do condomínio e a infraestrutura policial começa a ficar menos clara. Uma estrutura construída e mantida por interesses privados passa a integrar uma rede pública de segurança, enquanto empresas privadas também fornecem parte da tecnologia necessária para interpretar aquilo que a cidade enxerga.
O capital privado sempre participou da construção das cidades.
Agora começa a participar também da construção de seus olhos.
Palantir
É aqui que entra uma empresa chamada Palantir.
Fundada nos Estados Unidos em 2003, a empresa começou desenvolvendo ferramentas para a comunidade de inteligência americana voltadas inicialmente a investigações e operações de contraterrorismo. Uma de suas principais plataformas, chamada Gotham, foi construída para integrar grandes quantidades de informação e identificar padrões em diferentes conjuntos de dados. [11]
Isso muda bastante nossa discussão.
Porque uma câmera não precisa saber tudo sobre você.
Ela só precisa saber quem você é.
Outros sistemas podem saber o resto.
A Palantir construiu parte de seu negócio justamente permitindo que informações antes separadas sejam analisadas em conjunto. Segundo documentos apresentados pela própria empresa à SEC, o Gotham é utilizado em operações de defesa e inteligência, enquanto suas plataformas permitem integrar dados, decisões e operações em escala. [11]
Mas existe uma característica especialmente importante sobre essa empresa.
A Palantir não apresenta sua tecnologia como politicamente neutra.
Em 2025, seu CEO e cofundador Alex Karp publicou com Nicholas Zamiska o livro The Technological Republic. Em abril de 2026, a própria Palantir publicou em sua conta oficial no X uma síntese de 22 pontos das ideias do livro, texto que passou a ser tratado pela imprensa como um manifesto da empresa. [12]
O texto defende, entre outras coisas, uma aproximação entre o Vale do Silício, o Estado americano e sua estrutura de defesa. Mas seus últimos pontos vão além.
No ponto 21, o manifesto afirma que algumas culturas produziram avanços importantes enquanto outras se mostraram, em sua visão, disfuncionais, regressivas ou prejudiciais. No ponto seguinte, critica aquilo que chama de um pluralismo vazio e questiona a dificuldade dos Estados Unidos e do Ocidente em definir uma cultura nacional. [12] [13]
Karp já foi ainda mais direto ao explicar essa visão publicamente.
Durante uma apresentação de resultados da Palantir em 2024, afirmou que a empresa acredita que o modo de vida ocidental é superior e que, por isso, deveria ser apoiado pelos melhores produtos tecnológicos. [14]
Existe uma hierarquia entre sociedades nessa visão de mundo, e a tecnologia deveria participar da defesa daquela considerada superior.
Isso não prova que um algoritmo da Palantir discrimine automaticamente uma pessoa por sua cultura, nacionalidade ou origem.
Mas torna difícil tratar como irrelevante a visão de mundo de quem constrói ferramentas capazes de classificar, relacionar e analisar populações.
Um algoritmo não nasce sozinho.
Alguém decide quais informações importam, quais relações devem ser procuradas e quais problemas o sistema deve resolver.
A técnica não existe fora da sociedade que a produz.
E existe uma contradição maior aqui.
Tecnologias capazes de organizar uma quantidade de informação que nenhum cidadão conseguiria analisar sozinho estão cada vez mais presentes dentro do Estado, mas parte dessa capacidade é construída por empresas privadas que não são escolhidas pelo voto.
O Estado continua possuindo o poder de polícia.
Mas uma parte crescente da infraestrutura que permite exercer esse poder pode pertencer ao capital privado.
Talvez a OCP de RoboCop não fosse uma previsão tão absurda.
A cidade que lembra
No filme, a máquina tinha olhos, memória e uma arma.
Na nossa cidade essas coisas não precisam ocupar o mesmo corpo.
Os olhos podem estar espalhados pelos postes. A memória pode estar nos servidores e a capacidade de relacionar aquilo que foi visto pode estar em softwares desenvolvidos por empresas privadas.
Em alguns lugares, máquinas começam inclusive a ser estudadas para intervir fisicamente sobre aquilo que observam.
Separadas, essas tecnologias parecem muito menos impressionantes que o policial metálico imaginado em 1987.
Juntas, talvez sejam mais poderosas.
Porque o RoboCop ainda precisava estar presente para observar alguém.
A cidade não.
Ela já estava lá antes de você chegar.
E continuará depois que você for embora.
A pergunta mais importante talvez não seja quantas câmeras devemos permitir em nossas cidades ou se determinada tecnologia funciona.
A pergunta é quem controla aquilo que elas produzem.
Porque existe uma diferença enorme entre construir uma cidade capaz de enxergar seus habitantes e construir uma cidade capaz de conhecê-los.
Talvez o problema da cidade inteligente não seja ela saber demais.
É não sabermos exatamente onde termina aquilo que ela pode fazer com o que sabe.
Referências
[1] Amnesty International UK. Edward Snowden: Privacy is for the powerless. Entrevista sobre privacidade, vigilância e o argumento da “porta do banheiro”.
https://www.amnesty.org.uk/knowledge-hub/all-resources/edward-snowden-privacy-powerless-surveillance-censorship/
[2] FESTIC, Noemi; BÜCHI, Moritz; LATZER, Michael; ODERMATT, Céline. Journal of Communication. Dataveillance inhibits legitimate communication: causal evidence for chilling effects. 2026.
https://academic.oup.com/joc/article/76/4/277/8667253
[3] Singapore Police Force. From Frontlines to Frontiers: Police Workplan Seminar 2026. Informações sobre o Home Team SkyGuardian e outras capacidades não tripuladas da polícia de Singapura. 2026.
https://www.police.gov.sg/Media-Hub/Police-Life/2026/05/From-Frontlines-to-Frontiers-Police-Workplan-Seminar-2026
[4] Ministry of Home Affairs — Singapore. Transcript of soundbite by Mr K Shanmugam at Police Coast Guard (Brani) on weaponised unmanned systems. 14 maio 2026.
https://www.mha.gov.sg/media-room/newsroom/transcript-of-soundbite-by-mr-k-shanmugam-coordinating-minister-for-national-security-and-minister-for-home-affairs-at-police-coast-guard-brani-on-weaponised-unmanned-systems/
[5] Prefeitura de São Paulo. Prefeito assina contrato para o início do Smart Sampa, maior programa de videomonitoramento da cidade com até 40 mil câmeras. 7 ago. 2023.
https://prefeitura.sp.gov.br/noticia/prefeito-assina-contrato-para-o-inicio-do-smart-sampa-maior-programa-de-videomonitoramento-da-cidade-com-ate-40-mil-cameras-2
[6] Prefeitura de São Paulo. Decreto nº 63.552, de 4 de julho de 2024. Cria o Programa Smart Sampa e estabelece suas diretrizes de integração de câmeras, dados e sistemas.
https://legislacao.prefeitura.sp.gov.br/decreto-63552-de-4-de-julho-de-2024
[7] Secretaria Municipal de Segurança Urbana — Prefeitura de São Paulo. Programa Smart Sampa. Dados sobre câmeras públicas e privadas integradas, reconhecimento facial e integração de sistemas. Atualizado em 2026.
https://prefeitura.sp.gov.br/web/seguranca_urbana/w/smart-sampa-2
[8] Secretaria Municipal de Segurança Urbana — Prefeitura de São Paulo. Relatório de Transparência do Smart Sampa comprova eficácia do sistema de reconhecimento facial. 18 jun. 2025.
https://prefeitura.sp.gov.br/web/seguranca_urbana/w/relat%C3%B3rio-de-transpar%C3%AAncia-do-smart-sampa-comprova-efic%C3%A1cia-do-sistema-de-reconhecimento-facial
[9] LAPIN; Instituto de Referência Negra Peregum; Rede Liberdade. Smart Sampa: Transparência para quem? Transparência de quê? Nota técnica. 4 fev. 2026.
https://lapin.org.br/2026/02/04/smart-sampa-transparencia-para-quem-transparencia-de-que/
[10] OLIVEIRA, Bruno Pantaleão de; NUNES, Pablo. CESeC / O Panóptico. Smart Sampa vigia, mas não protege: falta de evidência na redução de crimes e aumento da produtividade policial na cidade de São Paulo. 2025.
https://analytics.fgv.br/publicacao/smart-sampa-vigia-mas-nao-protege
[11] Palantir Technologies Inc. / U.S. Securities and Exchange Commission. Annual Report — Form 10-K. Informações sobre a fundação da Palantir, sua atuação inicial com a comunidade de inteligência americana e as plataformas Gotham, Foundry, Apollo e AIP. 2026.
https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1321655/000132165526000011/pltr-20251231.htm
[12] TechCrunch. Palantir posts mini-manifesto denouncing inclusivity and ‘regressive’ cultures. 19 abr. 2026. A matéria reproduz e contextualiza a publicação de 22 pontos feita pela Palantir a partir de The Technological Republic.
https://techcrunch.com/2026/04/19/palantir-posts-mini-manifesto-denouncing-regressive-and-harmful-cultures/
[13] Deutsche Welle. O que diz o manifesto da Palantir, que promove “armas de IA”. 22 abr. 2026.
https://www.dw.com/pt-br/o-que-diz-o-manifesto-da-palantir-que-promove-armas-de-ia/a-76897062
[14] Palantir Technologies — Q1 2024 Earnings Call. Transcrição publicada pelo The Motley Fool. Declarações de Alex Karp sobre a defesa dos valores ocidentais e sua afirmação de que o modo de vida ocidental seria superior. 6 maio 2024.
https://www.fool.com/earnings/call-transcripts/2024/05/06/palantir-technologies-pltr-q1-2024-earnings-call-t/